A agricultura é uma atividade dependente de fatores climáticos, por isso a mudança no clima pode afetar a produção agrícola de várias formas: mudança de eventos extremos, crescimento devido às alterações na temperatura do ar, ocorrência de pragas e doenças, dentre outros.

Sabemos que o impacto das mudanças climáticas na agricultura tem um fator muito significativo. E esse assunto é de grande importância para toda a sociedade, uma vez que o setor é responsável pelos meios de subsistência de toda a população. Um dos efeitos da mudança do clima é a alteração do cenário de doenças e seu manejo que, certamente, causará impacto na produtividade agrícola. As mudanças climáticas poderão ter efeitos diretos e indiretos tanto sobre o agente infeccioso quanto sobre as plantas hospedeiras e a interação de ambos. Dentre os efeitos diretos está a mudança na distribuição geográfica. No Brasil, onde o agronegócio representa cerca de 22% do PIB (Produto Interno Bruto), pesquisadores já alertam para áreas de cultivo que serão mais afetadas e começam a discutir medidas para aliviar esses impactos. Um dos motivos é a elevação da temperatura provocada pela alta concentração de gases de efeito estufa que deve causar um impacto negativo na agricultura de quase todo o planeta. O aquecimento trará alguma vantagem somente para o cultivo nas regiões de alta latitude.

As variações climáticas, o aumento da temperatura e as modificações no regime da chuva, podem provocar perdas significativas nas safras de grãos e alterar a geografia da produção agrícola brasileira. Culturas como feijão, soja, trigo e milho serão especialmente afetadas, apontam estudos da Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima). Já o algodão, arroz, café, feijão, girassol e milho sofrerão uma diminuição da área favorável ao plantio, exceto a cana-de-açúcar e a mandioca.

Período de estiagem, acompanhado por calor, forte insolação e baixa umidade relativa em plena estação chuvosa ou em pleno inverno, podem resultar em maior necessidade de irrigação. O cultivo da soja, por exemplo, pode se tornar cada vez mais difícil na região Sul e alguns estados do Nordeste podem perder significativamente sua área agricultável. Temperaturas máximas diárias acima de 32°C são responsáveis pela queda da produção agrícola, uma vez que interferem nas fases do ciclo fenológico das culturas e no desenvolvimento de órgãos vitais das plantas. A estimativa é que por volta do ano 2050 a produtividade da maior parte das culturas agrícolas do Brasil sofrerá um decréscimo acentuado, devido ao excesso de calor.